É um azeite equilibrado, com cheiro e sabor a fruto fresco, por vezes amendoado, e com uma sensação notável de doce, verde, amargo e picante”. A Denominação de Origem “Azeite de Trás-os-Montes” encontra-se consagrada pelo uso face, designadamente, ao seu conhecimento desde tempos imemoriais. A plantação de olivais em Mirandela e seu termo deve datar da primeira metade do séc. XVI, pois já o Dr. João de Barros, diz na sua Geografia, “...e muito pouco há que ali se plantaram as primeiras oliveiras, e agora há muito azeite na terra.”.
O uso da Denominação de Origem obriga a que os azeites sejam produzidos de acordo com as regras estipuladas no caderno de especificações, o qual inclui, designadamente, variedades de azeitona, condições de apanha e transporte para o lagar, condições de laboração e as características do produto final. Só podem beneficiar do uso da DO os azeites que, cumprindo todas as condições estipuladas se apresentem no comércio devidamente acondicionados em embalagens de origem.
A rotulagem deve cumprir com os requisitos da legislação específica dos azeites, mencionando também a Denominação de Origem. Na embalagem deve, ainda, ostentar a marca de certificação aposta pela respectiva entidade certificadora.

A área geográfica de produção está circunscrita aos concelhos de Mirandela, Vila Flor, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Vila Nova de Foz Côa, Carrazeda de Ansiães e às freguesias de Sonim, Barreiros, Santa Valha, Vilarandelo, Fornos do Pinhal, Possacos, Valpaços, Vassal, Santiago da Ribeira, Algeriz, Sanfins, Rio Torto, Àgua Revés e Castro, Santa Maria de Émeres, Canavezes e São Pedro de Veiga de Lila do concelho de Valpaços; às freguesias de Vales, Palheiros, Murça, Noura e Candedo, do concelho de Murça; às freguesias de Lousa, Cabeça Boa, Castedo, Horta da Vilariça, Adeganha, Torre de Moncorvo, Cardanha, Larinho, Felgueiras, Felgar e Souto da Velna, do concelho de Moncorvo; às freguesias de Valverde, Paradela, Mogadouro, Brunhoso, Castro Vicente, Vale da Madre Remondes, Soutelo e Azinhoso, do concelho do Mogadouro; à freguesia de Santulhão do concelho de Vimioso e às freguesias de Izeda e Macedo de Mato do concelho de Bragança.

Região:
Norte

Particularidade:
Azeite de baixa e muito baixa acidez, de cor amarela esverdeada, com cheiro e sabor a fruto fresco, por vezes amendoado e com uma sensação notável de doce, verde, amargo e picante.

Descrição:
O azeite tem excelentes características que permitem a sua qualificação como azeite virgem e virgem extra nos termos da Regulamentação Comunitária. As variedades de azeitona empregadas no seu fabrico são a Verdeal Transmontana, Madural, Cobrançosa e Cordovil.

História:
O consumo de azeite em Trás-os-Montes remonta à Antiguidade. A plantação de olivais em Mirandela deve datar da primeira metade do século XVI pois em 1609 relatava-se que os olivais eram modernos. A produção de azeite no concelho de Mirandela era em 1886 de cerca de 457 pipas de 625 litros. A produção em 1894 foi de 776 quilolitros e em 1896 existiam na vila de Mirandela 12 lagares de azeite. Em 1903 um azeite desta região ganhou a medalha de prata na Exposição Agrícola. Em 1908 referem-se quais as variedades predominantes nos olivais e em 1942, num estudo que tinha por base a boa tradição oleícola, foi individualizada a região do Nordeste Transmontano.

Uso:
O azeite é utilizado quer em cru, como tempero de saladas, bacalhau e outros peixes quer como ingrediente base em receitas de culinária transmontana (bolas e folares, bolos, filhoses e carnes, nomeadamente no cabrito assado), sendo ainda usual o seu emprego na doçaria tradicional. É ingrediente indispensável da Alheira de Mirandela.

Saber Fazer:
A região de produção possui relevo atravessado por cursos de água de que resultam aspectos edafoclimáticos que influenciam as características do azeite. O solo do olival é mantido livre de infestantes e as árvores são podadas de dois em dois anos ou sempre que as copas estejam excessivamente compactas, de modo a não comprometer a capacidade produtiva do olival. São feitas correcções do solo e adubações quando as análises o determinam. São efectuados tratamentos fitossanitários quando necessário, sendo sempre respeitados os intervalos de segurança. A colheita dos frutos é iniciada quando o seu estado de maturação se encontra entre 4 (epiderme negra e polpa verde)  e 5 (epiderme negra e polpa violeta) e é feita manual ou mecanicamente. São separados os frutos colhidos dos que sofreram queda espontânea. Após a colheita, as azeitonas são enviadas imediatamente para o lagar, acondicionadas em caixas de plástico ou transportadas a granel, desde que devidamente protegidas.

Após a recepção da azeitona, esta é desfolhada e lavada antes de ser entulhada e/ou laborada. A azeitona não fica mais de 2 dias em tulhas para evitar aumentos de acidez e de defeitos sensoriais do azeite. A moenda é efectuada de modo que as massas não fiquem muito finas nem muito grossas para não dificultar a separação do azeite. A dimensão da malha do crivo é aumentada ao longo da campanha para evitar a formação de emulsões devidas ao amadurecimento da azeitona. A massa moída sofre uma termobatedura a uma temperatura inferior a 30 - 32 ºC, durante um período de tempo de 55 min para os sistemas contínuos e de 30 min para os sistemas clássicos. A massa está bem batida se as últimas pás da batedora apresentarem azeite a sobrenadar. A água que se introduz na batedora não deve ter temperatura superior a 40 ºC e os peneiros (tamises) são limpos diariamente para evitar a passagem de sólidos para as centrífugas (verticais). A centrífuga para separar as águas ruças do azeite é lavada periodicamente (de hora a hora) para evitar perdas de azeite. Na centrífuga do azeite a água de adição não deve ter uma temperatura superior a 35 ºC para evitar que o azeite saia com cor demasiado escura. Todas as instalações são mantidas em perfeitas condições de higiene.
No rótulo deve constar a menção "Azeite de Trás-os-Montes - Denominação de Origem Protegida".

Produção:
A área geográfica de produção (localização dos olivais, extracção do azeite e seu acondicionamento) é a constante do Despacho nº 34/94 de 20/01 (Concelhos de Mirandela, Vila Flor, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Vila Nova de Foz Côa, Carrazeda de Ansiães e a algumas freguesias dos concelhos de Valpaços, Murça, Moncorvo, Mogadouro, Vimioso e Bragança.

Reconhecida a Denominação de Origem pelo Despacho acima mencionado.

Registada e protegida a Denominação de Origem Trás-os-Montes pelo Regulamento (CE) nº 1107/96, de 12/06.

Azeite de Trás-os-Montes

Denominação de Origem Protegida (DOP)

Legislação

Nacional

Desp. 34/94

Comunitária

Reg. CE Nº 1107/96 da COMISSÂO de 12 de Junho de 1996

Bibliografia

Henriques, Dr. Francisco da Fonseca, "Medicina Lusitana"

João de Barros, "Geografia", séc. XVI

Faria, Manuel Severim, "Relato de Jornada", em 1609

Governador Civil de Mirandela, "Relatório de 1886"

"Notas de Portugal", 1908

Costa Netto e Canhoto Vidal, "Contribuição para o Estudo do Azeite Português", Congresso Luso Espanhol (Porto-1942), ed. 1945.

"Produtos Tradicionais Portugueses", Ed. Direcção-Geral do Desenvolvimento Rural (DGDRural), Lisboa, 2001

Região: 
Categoria: 
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