O Complexo Plutónico de Monforte Santa Eulália corresponde ao grupo dos granitos variscos tardi- a pós-orogénicos pertencendo ao sector ibérico da Zona Ossa Morena (ZOM). Apresenta forma elíptica, com orientação E-W, estende-se por cerca de 400 km2,. Corresponde a um complexo granítico, com estrutura anelar, que apresenta clara discordância com as estruturas hercínicas regionais orientadas NW-SE identificando-se várias fácies graníticas de diferentes composições mineralógicas, granulométricas e texturais. A fácies externa correspondente ao granito róseo de grão médio-grosseiro de Monforte, a que estão associadas rochas de composição intermédia a básica, sucedendo-se uma fácies intermédia de cor cinza e textura porfiróide, uma fácies interna de grão médio e uma fácies que ocupa o núcleo central de grão fino.

Os contactos entre as diferentes fácies são geralmente bruscos mas podem ocorrer de forma gradual, estando associados a rochas filonianas microgranulares, conferindo um carácter sub-vulcânico. O estudo geoquímico revela um anel periférico mais diferenciado de carácter metaluminoso com rochas de composição intermédia a básica de carácter peralcalino e um conjunto de fácies intermédias de tendência peraluminosa, ocupando a fácies menos evoluída o núcleo central do maciço. A zonalidade geoquímica revela um mecanismo de intrusão descontínuo do tipo cauldron subsidence, com ocorrência de episódios sucessivos de injecção magmática, do tipo intermitente, magma stoping para a instalação dos monzogranitos correspondentes às fácies centrais. Numa segunda fase ter-se-ão instalado, nas zonas periféricas, os magmas básicos que por processos mistos de diferenciação magmática (cristalização fraccionada + mistura magmática + contaminação crustal) deram origem ao granito do anel externo e rochas de composição intermédia a básica associadas. Este complexo intrui metassedimentos do Proterozoico e do Paleozóico Inferior da ZOM.( Lopes et al. 1998)
Para outros autores as diferentes fácies que constituem o Maciço de Santa Eulália são contemporâneas na sua formação e instalação, que se inicia com a instalação de corpos de composição intermédia a básica na sequencia metassedimentar acompanhada pela instalação dos granitos constituintes do anel externo, através de impulsos múltiplos.Finalmente intruem os granitos que constituem as fácies centrais, deslocando para o exterior os corpos incluídos no anel externo (Menéndez et al. 2006). Foram seleccionados três locais para observação das diferentes fácies dos granitos deste complexo, atendendo à sua expressão cartográfica, características petrológicas/geoquímicas e sua utilização económica, já que estas apresentam grande interesse como rocha ornamental:
Granito róseo de Monforte correspondente ao anel externo.
Granito cinzento de Santa Eulália, correspondente a fácies de grão médio do anel interno.
Rochas de composição básica a intermédia (gabros a granodioritos) associadas ao granito de Monforte.

Bibliografia:

  • Lopes, J. M.C., Munhá, J., Wu, C. T., Oliveira, V. M. J., 1998 - O Complexo Plutónico de Monforte-Santa Eulália (Alentejo-NE, Portugal Central): caracterização geoquímica e considerações petrogenéticas - Comunicações do Instituto Geológico e Mineiro, T. 83: 127-142.
  • Menéndez, L.G., Azor, A., Pereira, M.D. & Acosta, A. (2006) – Petrogénesis del Plutón de Santa Eulália (Alto Alentejo, Portugal) – Rev. Soc. Geol. España, 19 (1-2): 69-86.
Região: 
Categoria: 
Produtos TradicionaisAreias e Pedras Naturais
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