Os Pastéis de Tentúgal são doces originários do receituário de doçaria do Convento de Nossa Senhora do Carmo de Tentúgal.
Na doçaria portuguesa, encontra-se uma grande variedade de massas folhadas e recheios com doce de ovos nos diversos tipos de Palitos Folhados; os do Convento de Tentúgal seriam, porventura, dos mais elaborados, e no século XIX já era conhecida a sua confecção.
História:No início dos anos 1890 do século XIX, a Hospedaria da Dona Maria da Conceição Faria (1851-1940), única no caminho de charrete de Coimbra à Figueira da Foz, inicia a confecção e comercialização dos Palitos Folhados como complemento à prestigiada cozinha aí praticada, onde se distinguia o Cabrito e o Lombo de Porco assados no forno e a Lampreia na época.
A receita e a arte de confecção são ensinadas à Dona Conceição Faria por uma familiar, auxiliar no Convento e com prática na confecção da doçaria do convento, do qual saiu após o encerramento, em 1898, aquando do falecimento da última freira carmelita, de seu nome Maria Maximina do Loreto, que, segundo consta de alguns documentos, seria originária de Viseu.
O seu aspecto e gosto refinado, a qualidade e a divulgação dos Palitos Folhados da Dona Conceição Faria, levaram à alteração da sua designação logo nos primeiros tempos, associando ao “Pastel”, o nome da Vila, criando e popularizando assim a designação Pastel de Tentúgal.
No século XX a Hospedaria mantém as suas características e após a implantação da República em 1910, Portugal conhece um grande desenvolvimento com a construção de estradas e o aparecimento dos primeiros automóveis. A partir do início dos anos 20, é a sua filha, Dona Branca Faria Delgado (1894-1982) que dá grande incremento e divulgação aos Pastéis de Tentúgal e manteve a casa até ao início dos anos 80. Para o seu prestígio, contribuíram as frequentes visitas da classe abastada e de professores e estudantes da Universidade de Coimbra, que vinham a Tentúgal apreciar e encomendar os pastéis da Dona Branca Faria Delgado, que, posteriormente, divulgavam por todo o país.
As apreciadas características do Pastel de Tentúgal encontram-se no folhado fino e estaladiço, único na doçaria portuguesa e no recheio de ovos. Inicialmente, na sua confecção, estava presente a amêndoa ralada, que lhe requintava o gosto, mas, devido à sua escassez, esta veio a ser abandonada. Por encomenda e menos divulgada, a forma Meia-Lua era o pastel das bodas.
A confecção manteve-se, exclusivamente, na família da Dona Conceição Faria até meados dos anos 50, altura em que apareceu um novo confeiteiro a comercializar, originando, assim, um novo ciclo do Pastel de Tentúgal.
Os familiares de Dona Branca Faria Delgado, infelizmente, não lhe puderam dar continuidade, apesar de serem os donos da casa mais antiga a fabricar estes doces típicos. Hoje, o pastel de Tentúgal mantém, basicamente, as mesmas características, desde a sua origem.
A industrialização do seu fabrico tornou-se na principal empregadora e geradora de riqueza da Vila e antigo concelho de Tentúgal.