Particularidades: Apresenta uma forma piriforme, alongada, de cor arroxeada e com polpa amarela. Possui um sabor adocicado e textura pouco fibrosa e quando comida crua apresenta um sabor semelhante ao da castanha.
Descrição: A batata doce de Aljezur é a raiz adventícia da planta "Ipomoea batatas L. (syn. Batatas edulis)" da variedade Lira e da família das Convolvulaceas que, por tuberculização, se torna carnuda. Tem uma epiderme de cor púrpura (castanho-avermelhada), polpa amarela, teor de humidade entre 65 a 67%, açúcares redutores de 1,3 a 1,5%, açúcares totais de 1,8 a 3,7 %, cinzas de 0,73 a 0,81% e amido de 11,2 a 12,9% .
História: Reza a lenda que os Cavaleiros de Santiago, chefiados por D. Paio Peres Correia, antes de cada importante batalha, utilizavam como complemento alimentar uma "poção" elaborada a partir de batata-doce. O vigor na invasão e a rapidez na tomada do castelo de Aljezur deixou os mouros boquiabertos, incapazes de reagir a tão impetuosa carga. A conquista ocorreu em 1249 e a poção que determinou a magnífica vitória foi, segundo a lenda, nada mais, nada menos, que a famosa feijoada de batata-doce de Aljezur. De facto esta região é referida muitas vezes por quem a conhece, como a "terra da batata doce", tendo merecido a honra de figurar em destaque no Brasão da Junta de Freguesia do Rogil, onde se encontra a maior mancha desta cultura no concelho de Aljezur. A tradição da batata-doce em Aljezur e Odemira é facilmente demonstrada pelos inúmeros pratos típicos da gastronomia regional, como a sopa de feijão com batata-doce; a feijoada de batata-doce; o lombo de peixe recheado com batata-doce e coentros; a batata-doce com gratinado de queijo.
Uso: Utilizada como sobremesa (cozida em vapor ou assada no forno com casca), como prato de acompanhamento (cozida no vapor e descascada no momento de comer, para acompanhar peixe assado na brasa, por exemplo), frita e como ingrediente de pratos tradicionais (guisado de chocos, cozido de grão com batata-doce). A batata-doce é também preparada sob a forma de um puré que é utilizado como recheio para pastéis e empanadilhas (um tipo de filhós com recheio de batata doce), ou na preparação da torta de batata-doce, todos eles reconhecidos na doçaria tradicional da região. Por vezes é também utilizado este puré como "aditivo" na massa do pão, obtendo-se assim um pão que se mantém macio por mais tempo. Os rebentos aéreos mais tenros são também utilizados na alimentação humana, para a elaboração do designado "esparregado".
Saber Fazer: A preparação da cultura começa em Fevereiro com a instalação do viveiro que, por rebentação das batatas, produz uma vegetação aérea de onde se retira uma porção de caule, vulgarmente designado por "podas", com cerca de 25 cm de comprimento, colhidas em finais de Abril, início de Maio. Estas podas são transplantadas para o local definitivo em compassos de 20 cm na linha e 65 cm entre as linhas, após a preparação do terreno com uma lavoura superficial e fertilização orgânica seguida de gradagem. Na maioria dos casos não é necessário proceder a regas. Contudo, em alguns terrenos de menor capacidade hídrica, procede-se à rega desta cultura, de forma a evitar o enraizamento dos caules que provocaria uma diminuição do tamanho dos tubérculos. A cultura fica no terreno cerca de quatro meses. A colheita tem lugar em Outubro quando a planta atinge a maturidade plena das raízes e não se verifica um excesso de humidade no solo. Uma colheita precoce ou tardia prejudica o gosto, apresentação e conservação do produto. Após a colheita, colocam-se as batatas em cima da terra por um período de cerca de oito dias, em regime de "cura", para promover a suberificação e cicatrização de cortes e outras feridas. Findo este período procede-se à limpeza e armazenamento em local arejado e fresco, com temperaturas médias não superiores a 13 - 14º C. A batata doce de Aljezur apresenta-se em fresco com um calibre que varia entre os 8,5 cm x 4,0 cm e os 16,5 cm x 7,1 cm e peso entre as 50 g e as 450 g. Quando o seu calibre ou o seu peso são superiores ao esperado, é transformada em doce ou batatada. Fresca ou em compota, a batata-doce de Aljezur apresenta-se comercialmente sempre acondicionada na origem, em embalagens adequadas. Na rotulagem deve constar obrigatoriamente a menção «Batata doce de Aljezur - Indicação Geográfica Protegida».
Produção: A área geográfica de produção está circunscrita ao concelho de Aljezur e às freguesias de S. Teotóneo, S. Salvador, Zambujeira do Mar, Longueira-Almograve e Vila Nova de Milfontes do concelho de Odemira, face às características específicas destes solos e ao saber fazer cultural, tal como definido no Despacho nº 5063/06, de 10/02.
Reconhecida a Indicação Geográfica pelo Despacho acima mencionado.
Registada e protegida a Indicação Geográfica Aljezur pelo Regulamento (CE) nº 752/2009, de 17 de Agosto
Batata doce de Aljezur
Indicação Geográfica Protegida (IGP)
Legislação:
Nacional
Comunitária
Bibliografia:
- ANTUNES, DIAS (s.d.) - A Pequena Horta Familiar . Biblioteca Rural.
- GARDÉ, A.H. & GARDÉ, N. (1976) - Culturas Hortícolas. Clássica Editora.
- NASCIMENTO, B. S. (1944) - A Cultura da Batata Doce na Província do Algarve. Relatório Final do Curso de Engenheiro Agrónomo. Instituto Superior de Agronomia. Lisboa.
- "Produtos Tradicionais Portuguese", Ed. Direcção-Geral do Desenvolvimento Rural (DGDRural), Lisboa, 2001