Capão de Freamunde Ainda em tenra idade, pega-se num frango, atenta-se contra a sua dignidade de futuro dominador do poleiro, impedindo-o de vir a … cantar de galo. Descobre-se que a sua carne se torna mais macia e capitosa e quando assado adquire um requintado e inigualável sabor. Eis a justificação da celebridade, popularidade e fama da feira que, na Cidade de Freamunde, se realiza a 13 de Dezembro de cada ano, dia festivo de Santa Luzia. A carne de capão sempre foi apontada como iguaria, habitual nos repastos e banquetes reais. Inúmeros historiadores e cronistas referem-na como podendo pedir meças, em qualidade e requinte, à de muitas outras aves que iam à mesa do Rei, como a perdiz, o faisão ou a galinhola. Foi, provavelmente, a junção de três factores que levou à criação da receita Capão à Freamunde. Primeiro, as inegáveis qualidades gastronómicas da carne da ave. Segundo, o facto de o capão ser o “ex-libris” de Freamunde. Finalmente, a vontade de receber bem e sempre de braços abertos, aqueles que visitam o Concelho de Paços de Ferreira. O Capão de Freamunde, ex-libris da Freguesia de Freamunde, Concelho de Paços de Ferreira, é um frango proveniente de estirpes de crescimento lento, do tipo Atlântico da raça Gallus Domesticus, castrado antes de atingir a maturidade sexual e que se destina exclusivamente à produção de carne. O acto de capar remonta ao tempo dos Romanos. Consta-se que o Cônsul Romano Caio Cânio, cansado da perda do sono por causa do cantar dos galos, conseguiu fazer aprovar uma lei impeditiva da existência destas aves na cidade de Roma. Sem contrariar a lei, houve logo quem se lembrasse de uma forma de continuar a usufruir da carne dos galos, capando-os. Terá deste modo surgido uma nova “espécie”, o capão, que ultrapassa em beleza, tamanho e sabor, o galo macho. O “voto” de castidade concede ao animal um ar triste e envergonhado, mas torna-o gordo, opulento, dotado de uma carne tenra e das mais saborosas de todas as aves. Com a romanização de todo o território do Noroeste Peninsular e com a criação dos pequenos aglomerados populacionais sobre a jurisdição Romana, a tradição de criação do capão foi passando de geração em geração. Os critérios sociológicos, o modo de produção e as condições naturais, conferem ao Capão de Freamunde tipicidade e autenticidade. Os machos de estirpe Redbro e das raças tipicamente portuguesas dão origem a Capões de penugem sedosa, brilhante, de penas muito compridas e de coloração diversa (consoante a origem racial), no entanto, destacam-se em formosura os de plumagem cor vermelho a vermelho vivo. Etnologicamente, apresenta peito largo com grande abundância de massa muscular, patas e pele de cor amarelada e coxas muito desenvolvidas e musculadas. De tarsos escamosos, largos e de cor amarela. O capão de Freamunde distingue-se, também, pela ausência de crista e barbilhões (removidos aquando da “capadura”) e do seu imponente peso. Possui em carcaça um aspecto macio, pele de cor uniforme e amarelada, fina, lisa, hidratada e com poros pouco marcados. A textura, suculência e flavor, dão à carne do Capão de Freamunde uma qualidade ímpar, cuja fama se prolongou ao longo de gerações.
Capão de Freamunde - IGP
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